
A
intervenção dos soviéticos no Afeganistão expressa a segurança do Estado
operário, sua potência, transcedência e perspectiva. Por outro lado, reflete
a debilidade do sistema capitalista, sua divisão e temor que tem. Os
soviéticos não tiveram dúvidas em intervir no Afeganistão. Estiveram
tentando conciliar com Amim e quando o derrubaram foi porque atuavam em função
de proteção do Estado operário e da extensão de suas fronteiras, mesmo
enfrentando a possibilidade de reações desfavoráveis por parte do Irã, dos
ianques, do Paquistão e da China. Apesar de tudo isto, os soviéticos
intervieram. Isto expressa segurança e resolução na defesa do Estado
operário, mas também, e ao mesmo tempo, uma capacidade organizativa e de
manobra política muito mais profunda que antes, porque sairam cortando a
possibilidade de que os feudais tomassem o poder no Afeganistão e dessem acesso
de forma indireta ou direta aos ianques. Isto significa que o Estado operário
manifesta às massas do mundo: “Estamos dispostos a defender esta conquista
histórica, ainda que tenhamos que ir à guerra”. As massas do mundo entendem,
compreendem e aprendem a desenvolver a capacidade de manobra política de acordo
à finalidade histórica; não ao interesse de casta dirigente.
As
intervenções anteriores da União Soviética, por exemplo, a da Polônia e da
Finlândia antes da Segunda Guerra mundial, tinham a mesma resolução, porém
com menos capacidade teórica e menos aceitação por parte das massas do mundo.
Na Polônia intervieram contra o “aliado” nazista e foram apoiados em parte
pela população polonesa. Agora, ao contrário, toda a população afegã apoia
a intervenção soviética. Toda a população que vive e participa, apoia.
Afeganistão é um país povoado por tribos nômades, de contrabandistas, de
ladrões. A imprensa burguesa fala do “pobre povo afegão que está lutando,
resiste à Urss, derruba aviões, destroi tanques”, porém, não diz quem dá
a estes rebeldes armas, o treinamento militar, os meios de transporte. As
declarações dos capitalistas tem a coerência do gangster, do assassino, que
não tem mais coerência que a que ele estabelece. E coerência seria
compreender como estas tribos do Afeganistão, que são gente pobre, que não
tem nada aparecem, de repente, com um armamento capaz de derrotar o exército
soviético! O exército soviético que derrotou os nazistas, que faz com que o
imperialismo não se anime a atacá-lo, pode ser derrotado pelos “pobres
rebeldes do Afeganistão” com fuzis de brinquedo! É preciso ter uma
mentalidade estúpida para pensar que isto seja assim. Todas essas notícias
são mentirosas, antes disseram as mesmas mentiras sobre a rebelião contra a
Etiópia na Eritréa. Se os eritreus eram capazes de destruir “quinze tanques
soviéticos” – como dizia a imprensa capitalista – era porque tinham armas
muito modernas. E se têm estas armas é porque os imperialistas lhes dão.
Esta
intervenção não é uma anexação, é uma ajuda. As massas do mundo vêem
esta intervenção e a julgam pelos resultados, e pela atitude soviética. Uma
invasão submete a um país, no Afeganistão se desenvolvem a economia, a
sociedade, as relações humanas. Então que tipo de “invasão” é essa?
Assim como a ciência e a cultura contribuem para o conhecimento e o
desenvolvimento, a intervenção soviética também contribui para o
desenvolvimento do país. Isto não é uma invasão. Além disso, as massas
estão aprendendo que as relações se decidem entre as grandes forças da
história: os Estados operários e os países capitalistas. O capitalismo é a
morte, é o retrocesso, é a sepultura da cultura, da economia. Ao imperialismo
interessa a economia e não os seres humanos, por isso leva em conta o
desenvolvimento do aparato produtivo para acumular o lucro e não melhorar as
condições de vida. Em troca, o Estado operário tem interesse na vida da
população e em colocar a economia a serviço da população. As massas vêem
isto e medem a intervenção de acordo às necessidades do progresso de cada
país, então julgam mediante este resultado, esta interpretação. Não é uma
invasão, é uma ação que desenvolve o país cultural, economica e
científicamente. Na guerra de 1945 foram os soviéticos que ocuparam a Alemanha
e construíram o Estado operário, apesar de Stalin. Na Polônia e nos demais
Estados operários também foi assim. As pessoas lembram-se disso, recordam-se
que os soviéticos tinham tropas nestes países, e todos eles passaram a ser
Estados operários. Foi o exército soviético que ajudou a desenvolver os
Estados operários. E o exército soviético podia ter permanecido. Mesmo quando
Stalin quis se impor à Iugoslavia e Tito se opôs não houve invasão por parte
dos soviéticos. Não pela pressão e ameaça do capitalismo e sim porque o
exército e a população soviética estavam contra s medidas militares contra a
Iugoslávia e contra a China. Também poderiam ter invadido a China, ou seja,
ainda sob Stalin, mas não era a burocracia de Stalin que determinava a conduta,
mas sim o desenvolvimento em marcha que, depois, liquidou Stalin e Kruschev.
O
progresso e o desenvolvimento da humanidade não está determinado pelos países
pequenos e sim pelas grandes forças que são as que determinam o curso da
história. A existência do capitalismo significa manter a vida de atraso das
massas; com mais de 300 anos de existência, mantém a metade da humanidade na
área da fome. Em todos os países capitalistas dezenas e centenas de crianças
morrem de fome, e na produção. Na Índia e no Paquistão as crianças
trabalham já aos cinco anos de dez a doze horas por dia.
Não
se pode analisar a história dizendo: “É preciso respeitar a independência
de cada país”. É preciso defender a independência de cada país, mas para
impulsionar o desenvolvimento do progresso da história. Não é verdade dizer
que os povos de cada país decidem o seu destino. É o governo imperialista
ianque que toma decisões. E nos países como Afeganistão, não são os povos
os que decidem, nem sequer eleitoralmente porque 80% da população não
participa das eleições, são os grandes latifundiários e feudais que decidem
e são os mesmos que impedem o desenvolvimento do país. A ajuda soviética
elimina estes indivíduos e então desenvolve o país. Isto não é uma
invasão, e sim uma participação no desenvolvimento do país dessa maneira,
porque é preciso eliminar esses setores que são os que impedem o
desenvolvimento econômico e social. É assim que se deve analisar. Isso é
válido para a Etiópia e para os demais países da África e da Ásia.