Manifesto contra a entrega  da
Base de Alcântara aos EUA
 

O mais antigo e legítimo princípio do exercício da soberania dos povos é a defesa da integridade do seu território. Princípio que lhe garante ação soberana inquestionável para desenvolvê-lo de maneira sustentável e oferecê-lo às gerações futuras.

O Governo Fernando Henrique Cardoso está ferindo este princípio, ao acatar as inaceitáveis condições impostas pelo governo dos Estados Unidos da América, para utilização da Base de Alcântara, no Maranhão.

O Acordo de Salva­guardas Tecnológicas, para utilização daquela base de lançamentos de foguetes, assinado entre os dois governos em abril de 2000, constitui-se numa peça que envergonha a diplomacia brasileira e um insulto à nossa soberania e inteligência.

É inaceitável para um país soberano, sob qualquer ponto de vista, admitir que dentro da área da Base de Alcântara, a circulação de pessoas e equipamentos seja privativa da autoridade do governo dos Estados Unidos.

A forma do acordo deixa dúvidas e suspeitas sobre as reais motivações geopolíticas e militares, do governo dos Estados Unidos ao exigir autonomia total em nosso território, justamente na entrada da Amazônia.

Além disso, o Acordo coloca em risco as comunidades de remanescentes de Quilombos que há mais de duzentos anos vivem na região.

E sepulta, sorrateiramente, a possibilidade da Aeronáutica brasileira desenvolver um programa espacial autônomo e soberano.

O Acordo depende agora de aprovação do Congresso Nacional.

Nós, cidadãos e cidadãs atentos(as) aos princípios e a defesa da soberania nacional e conscientes do exercício da soberania popular assegurada pela Constituição da República, nos manifestamos, exigindo:

 

1.    Que o Congresso Nacional rejeite o malfadado acordo.

2.    Que se busque uma solução justa e duradoura para que todos os
brasileiros que vivem no município de Alcântara tenham seus direitos assegurados e possam trabalhar e melhorar suas condições de vida.

3.    Que seja assegurado o direito de nosso povo à investigação, à pesquisa, ao acesso e desenvolvimento de novas tecnologias pacíficas de exploração espacial.

Estaremos sempre dispostos a lutar contra os que, atendendo a interesses de grupos nacionais e estrangeiros, buscam fragilizar o primado da nossa soberania sobre o território nacional. Lutaremos, sempre e incansavelmente, por um Brasil socialmente justo, soberano e democrático.

  

Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, 

Rio de Janeiro,

24 de junho de 2002.