
Declaração
de Apoio à República Popular da China
Expressamos nosso
apoio à decisão da República Popular da China de interceptar o
vôo da espionagem norte-americana contra seu território e reter
o aparelho. Trata-se de conduta legítima em defesa de sua
soberania e de sua dignidade nacional e um exemplo a ser seguido
por outros povos sempre vítimas de agressões dos EUA. Ao mesmo
tempo, expressamos nosso pesar ao povo e aos familiares do piloto
chinês que perdeu a vida na defesa da independência de sua
nação, conquistada a partir da Revolução Socialista de 1949.
A realização da visita do Presidente Jiang Zhemin à América
Latina em meio a esta grave crise foi uma grande lição de como
os povos zelosos de suas conquistas e de sua soberania alcançam
uma forte unidade nacional e se apresentam perante o mundo sem se
abalar ou se rebaixar diante das ameaças das potências
imperialistas. A viagem foi cumprida sem qualquer alteração
apesar da notória e arrogante contrariedade norte-americana
diante da ampliação dos laços econômicos, políticos e
militares da China com os países da América Latina, em
particular com Cuba, também alvo de sistemática agressão
norte-americana.
A visita do presidente chinês ao Brasil revela mais uma vez à
sociedade o imenso potencial para a realização de acordos de
alto nível para o desenvolvimento mútuo dos dois países - sem
submissão às normas de um comércio internacional controlado
pelas potências imperialistas - não fosse o Brasil dirigido por
um governo incapaz de fazer valer os interesses nacionais. A
presença do dirigente chinês em Brasília foi também uma
grande oportunidade perdida pelas forças progressistas
brasileiras para denunciar ao mundo mais um deprimente
comportamento de vassalagem do presidente Fernando Henrique
Cardoso, o fazendeiro-sociólogo, agora rebaixado à condição
de transmissor de recados do presidente Bush, por quem foi
incumbido de solicitar a Zhemin a devolução da tripulação e
da aeronave espiã legitimamente apreendidos pelo estado chinês.
Talvez a simpatia crescente em setores da esquerda brasileira
pelos modelos de democracia praticados pelos países imperialista
seja parte da explicação da sua quase completa omissão no
episódio. As ilusões com este modelo de "democracia"
cada vez menos representativa dificultam compreender que a China
Popular , para alcançar hoje uma posição de independência e
de soberania diante do mundo, teve que derrotar exatamente
aqueles opressores que hoje dilapidam nosso patrimônio público,
que desnacionalizam nossa economia, que inviabilizam nosso
projeto como nação. E os derrotou através de uma revolução,
com o envolvimento de todo um povo em armas, ponto inicial da
transformação social profunda que permitiu à China ser o que
é hoje, inclusive rebaixando a linguagem arrogante dos EUA e
fazendo-se respeitar por todos os países do mundo, especialmente
por seus inimigos, como provou a interceptação do vôo espião.
A ECONOMIA ESTATAL DA CHINA É A QUE MAIS CRESCEU NA DÉCADA.
PAÍS SAI DA CONDIÇÃO DE COLÔNIA PARA TORNAR-SE NO MAIOR
PRODUTOR MUNDIAL DE COMPUTADORES.
Esta quase indiferença da esquerda brasileira torna-se grave
pois também se expressa diante de denúncias feitas militares de
alta patente da Aeronáutica de que a corporação está
impedida, por falta de regulamentação legal, de agir de forma
eficaz contra os mais de 600 vôos ilegais que invadem a cada mes
o território brasileiro, apenas considerando a fronteira com o
Paraguai. Que trazem estes vôos? Armas? Drogas? Contrabando?
Material de guerra bacteriológica? Que poderosos interesses
travam a regulamentação da lei pelo Executivo brasileiro? O
exemplo da China é educativo: há uma correlação direta entre
a tolerância com a ação do narcotráfico, do comércio
internacional de armas, e a inexplicável paralisia de um governo
que desnacionaliza criminosamente a economia brasileira, entrega
recursos estratégicos a preços negativos e transfere recursos
públicos da área social para o capital externo, via
privatização. Além disso, a China desmente cabalmente a
ladainha neoliberal que conjuga eficiência econômica com
privatização, pois prova que a economia que mais cresceu nesta
nefasta década de neoliberalismo é a que possui maior
intervenção estatal em todo o planeta!
A China que interceptou o vôo espião dos EUA é a mesma que
derrotou todos os seus agressores e invasores, que realizou a
reforma agrária, que estatizou e planejou a economia, fazendo
com que, em 50 anos, uma população que vivia ao nível mais
animalesco e inculto, pudesse hoje alcançar com freqüência o
podium da Olimpíadas, exibir um padrão de saúde e de
educação invejável para a maioria da humanidade, encantar o
mundo com o lançamento de satélites, com o desenvolvimento
científico. Há segmentos na esquerda que cobram democracia na
China, mas baseando-se em modelos dos países imperialistas. Se
são verdadeiras as dificuldades da Revolução Chinesa para o
aprofundamento da democracia socialista, também é inegável que
estes 50 anos de construção socialista permitiram ao povo
chinês uma elevação de conjunto nos indicadores sociais e de
desenvolvimento humano. Mas o que dizer da evolução dos modelos
de "democracia" dos países imperialistas, onde o
aumento da abstenção eleitoral, a manipulação dos votos e dos
eleitores pela mídia, coincidem com a tolerância à práticas
de racismo, o retrocesso na legislação trabalhista, o
contaminação ambiental, destruição da seguridade social,
delinqüência e criminalidade descontroladas, da corrupção,
além do aumento desenfreado dos orçamentos bélicos e na
agressão sangrenta a outros povos como os palestinos, os
timorenses, ou os vietnamitas antes.? O capitalismo, apesar de
séculos como regime dominante, conduz evidentemente a humanidade
a uma barbárie, enquanto as experiências socialistas,
historicamente ainda recentes, que embora ainda não tenham
podido desenvolver-se em toda a sua plenitude, mostram ao mundo
que outra forma de organização da economia e da sociedade em
termos mais justos e humanos é rigorosamente possível.
As ameaças dos EUA à China são uma dirigidas a qualquer outro
país ou povo que decida escolher seu próprio caminho rompendo
com a subserviência e com a dominação do imperialismo
norte-americano. Eis porque, este conflito atual, a atitude
soberana da China e as conquistas da Revolução Socialista
Chinesa, devem ser discutidas no âmbito da esquerda, dos setores
progressistas da sociedade, nos sindicatos, movimento estudantil,
intelectual, como forma de elevar a compreensão de que somente
com profundas transformações sociais anticapitalistas os povos
realmente assumir sua verdadeira soberania.