
A investigação do cosmos e as relações humanas
(A energia e os combustíveis)
J. Posadas
J. Posadas mostra neste artigo, como a tendência natural do ser humano é aprofundar sua relação com o cosmos, superando as barreiras atuais, técnicas (a questão da energia, por exemplo) do temor ou do pensamento conservador, determinado pela propriedade privada. É fundamental conhecer toda a obra de J. Posadas sobre o tema, sobre a origem das civilizações aqui no planeta e o desenvolvimento da inteligência no universo, aspectos que se hoje, pela imposição da luta de classes, da luta pelo progresso social, não são centrais, mas tenderão a se desenvolver cada vez mais, como parte da preocupação materialista-dialética da humanidade e da indagação sobre o futuro; à medida em que, livres do capitalismo e de sua pressão, for se desenvolvendo nossa consciência social e cósmica ao nível de toda a massa humana.
São muito importantes as investigações com relação ao cosmos, que já começam a incluir uma preocupação de ver como resolver o problemas viagens cujo percurso chegaria a consumir reservas energéticas equivalentes ao que se consumiria na terra em 10 mil anos.
Acredito que a curto prazo não vai haver essa preocupação com relação à energia, porque vai-se chegar à conclusão de esta pode ser captada na própria atmosfera ou no espaço. Então não será preciso, ao partir da terra, ter garantia de que o combustível por exemplo seja suficiente para ir e voltar, simplesmente ele está aí mesmo, no espaço. E dentro desse mesmo processo, o ser humano vai adquirindo segurança de investigar, de comunicar-se, vai abandonando o temor.
Logo vão ser descobertas as formas de abastecer-se a partir do próprio espaço, Se a energia solar é suficiente para alimentar o mundo, e o sol é um pontinho comparado com certos corpos (os próprios astrônomos dizem que o sol é um grão de areia comparado com os outros astros, e que existem corpos estrelares pelo menos um milhão de vezes maiores que o sol), pode-se imaginar a energia incalculável que existe neles. Dessa forma a questão passa a ser de viajar com veículos fabricados na terra que sejam capazes de absorver e transformar a energia que há em outros astros, e para isso as naves precisam ter solidez, capacidade adaptar-se às diferentes atmosferas que encontrará. Atmosferas que nem imaginamos ainda como podem ser, mas o certo é que a energia solar será como a de um fósforo ao lado desses astros; e vão haver situações onde a temperatura vai ser tão baixa que o frio glacial, ao seu lado, vai parecer fogo. O problema será como adaptar-se a situações como estas.
O ser humano está acostumado à vida tal como ele conhece na Terra. A humanidade ainda tem que acostumar-se às transformações vindouras, das quais as mais importantes, por enquanto, são as que darão passagem às demais. As relações do ser humano com o cosmos vão ser transformadas, porque a origem e o objetivo do ser humano é o cosmos. Vai ser preciso transformar tudo o que envolve a natureza terrestre, para poder adaptar-se integrar-se através dessa relação. E criar a consciência desta relação; ao criá-la, a humanidade vai estar se preparando para qualquer tipo de investigação. Sobretudo para desprender-se da Terra sem sentir o temor ou a nostalgia com relação ao nosso planeta, mas que esta é parte de outro... continente, por assim dizer. O ser humano vai preparar-se para esta vida.
Hoje não existe esta preparação; a cultura atual é a do usufruto da vida na Terra e, consequentemente, a mente se desenvolve com a base nesse usufruto. Uma das condições que o socialismo vai criar será exatamente esta: elevar a mentalidade dos seres humanos para cumprir uma função na História, que vai ser a de investigar de onde viemos. Esta será então a base histórica justa que vai enaltecer o sentido da vida, que eqüivale a dar ao ser humano uma noção, uma atividade, uma atuação dentro da relação como o cosmos. Então vai se pensar como cosmos. Hoje ainda não se pode pensar dessa forma e acredito que por muitos anos isto não será possível.
A segurança social do ser humano estará acompanhada e provavelmente superada pela segurança histórica do cosmos. Muito antes de resolver os problemas sociais, este problema já está resolvido na cabeça da humanidade. Porque a decisão humana terá uma velocidade tal que para alcançar o que hoje requer 10 anos, precisaremos apenas de um segundo. É dessa forma que vai se desenvolver a decisão e a inteligência humana. Quando a humanidade já não tiver mães, pais e filhos ao mesmo tempo, de uma vez só, mães, pais e filhos do cosmos, vão haver diálogos desse tipo:
_ Apresento-lhe meu avozinho!
Esse será o reino da liberdade ao qual Marx se referia. O ser humano não vai estar submetido a nenhuma necessidade: comer não vai ser uma necessidade, mas parte do funcionamento da vida. Enquanto que hoje, sim, é uma necessidade, porque é preciso pagar, e o preço está determinado pelo mercado, pela produção, por todos esses tipos de relações. Enquanto os ianques estão produzindo essencialmente foguetes bélicos, os soviéticos já estavam preocupados em ver como ampliar a relação da vida com o universo.