Os atentados nos EUA e a preparação guerra 

O ataque às torres do World Trade Center de Nova Iorque e ao Pentágono em Washington, mais os outros ataques aparentemente abortados pela própria força aérea, constituem uma operação criminosa por meio da qual tenta-se completar o golpe de Estado iniciado com a eleição fraudulenta de G. Bush para presidente. Trata-se de iniciativa dos setores que necessitam desesperadamente da guerra, compostos pelo complexo industrial-militar tradicional, mais os representantes das altas finanças que pretendem assumir todas a iniciativa política global nas próprias mãos e outros setores da extrema-direita norte-americana. A participação de kamikazes, árabes ou não, não é o aspecto mais relevante.

O que é evidente para o mundo inteiro é que um atentado deste tipo, pelo grau de complexidade, de coordenação milimétrica, pelo envolvimento de meios e especialistas, e pela inexplicável lentidão demonstrada pela grande potência - após os seqüestros em cadeia, espera-se por uma hora sem acionar a defesa do Pentágono, por exemplo -, tudo isto está a indicar uma participação de altas esferas dos diversos serviços “secretos”  dos EUA e também “estrangeiros” como as organizações secretas sionistas, renomadas equipes de extermínio com capacidade de ação internacional.

Mesmo na hipótese mais fantasiosa da matriz “árabe”, fica evidente que teria sido utilizada a mesma equipe adestrada e armada até os dentes pela CIA chefiada pelo já famoso Bin Laden, o que não desmente absolutamente a afirmação acima, pelo contrário, a reforça. Entre Talibãs, Bin Laden e os EUA sempre houve uma simbiose perfeita. Este é um fato inegável da política internacional. Então, qualquer “caça ao árabe” é meramente pretextuosa. O fato de a CNN ter transmitido, vendendo por atualidade, um velho filme de 1991 mostrando o júbilo dos Palestinos pelo ataque do Iraque ao Kuwait, afirmando representar a reação destes frente ao atual ataque às Torres, indica a premeditação, neste caso mediática, da campanha que neste momento se desencadeia por meio de todos os mais poderosos meios de comunicação, inclusive a “Voice of America-Globo”, suprimindo qualquer possibilidade de crítica, objeção, contestação ou dúvida.

A mesma poderosa máquina de guerra mediática que foi usada para criar (melhor seria dizer “impor”) o “consenso” para a guerra contra a Iugoslávia, agora é utilizada para estimular o militarismo, a submissão das massas norte-americanas aos ditames do “patriotismo” e todas essas demências da punição do “mal”.

Àqueles que objetarão que seria insensato afirmar que os EUA possam fazer um auto-ataque, basta recordar: estima-se que 30 mil, repetimos, TRINTA MIL soldados norte-americanos tenham falecido ao retornar da guerra de agressão ao Iraque, devido à contaminação de produtos da guerra bactereológica e radioativa utilizados pelos próprios EUA nos campos de batalha (portanto, um número bem superior às estimativas feitas até o momento relativas a estes ataques). Dezenas de organizações de ex-combatentes nos últimos anos tem tentado fazer processos pedindo indenizações ao Estado pelo uso - desconhecido pelos próprios soldados - deste tipo de armas super-secretas baseadas no urânio e suas conseqüências.

Muitos lembram Pearl Harbour pelos seus resultados de consenso para a guerra e militarização do país, mas poucos recordam dos motivos que levaram os EUA a permitir deliberadamente que este ataque ocorresse - estando já perfeitamente informado -, pois o país fremia pela entrada em guerra. Ali também houve um cálculo de vidas norte-americanas ceifadas, além do prejuízo bélico. Mas há que recordar que JAMAIS O IMPERIALISMO DEU IMPORTÂNCIA ALGUMA À CONTABILIDADE DAS VIDAS HUMANAS NAS SUAS AVENTURAS MILITARES EM TODO O MUNDO, e tanto menos das vidas norte-americanas, salvo quando a própria população do país se rebelou, como ocorreu com a guerra do Vietnã, onde 50 mil soldados yankees e mais de TRES MILHÕES de vietnamitas morreram, estes últimos até hoje não indenizados com reparações de guerra.

 Muitos se perguntam, por outro lado, se é justo “justificar” o terrorismo fazendo neste momento a outra contabilidade, aquela dos povos massacrados direta ou indiretamente pelos EUA por meio da sua política exterior, principalmente após a dissolução da URSS. Não só militarmente, mas também no apoio às ditaduras mais infames (mais de 100 mil mortos só na América Latina), e também por meio da opressão econômica, fruto maduro da globalização, que reduziu à miséria absoluta uma massa enorme de cidadãos. As cifras superam a casa das dezenas de milhões, neste caso. Frente a este quadro dantesco, basta pensar na situação da África por exemplo onde os governos têm que brigar pelo direito de produzir medicamentos anti-AIDS sem pagar os royalties ao imperialsmo, é o caso de se perguntar se semelhante cúpula político-militar-financeira - a do Imperialismo USA - teria o mínimo escrúpulo de massacrar cidadãos americanos inermes - muitos deles simples trabalhadores, outros tantos latinos ou negros - para justificar uma ação imperial muito mais poderosa e devastadora a nível mundial.

A verdade está sob os olhos de toda a humanidade: os EUA tinham necessidade de relançar a própria hegemonia ameaçada pela decadência da própria economia, evidente para todos, pela crise de consenso global mostrada pela onda infinita de manifestações anti-globalização, e por rebeliões das massas já esboçadas em várias partes do mundo e representadas de maneira emblemática pela luta das massas palestinas. Como pano de fundo, ameaçador para o imperialismo, a lenta mas firme aproximação entre a Rússia e a China, a frente entre a Rússia, França, Síria, Jordânia contra o embargo ao Iraque, e a reestruturação de velhas alianças e mecanismos de não-alinhamento com países como o Irã, a Índia, a Venezuela, a Líbia, e outros países que buscam escapar das garras da globalização capitalista comandada pelos EUA. Isto sim que é intolerável.

Outros fatores “colaterais” podem ter acionado este mecanismo, como por exemplo a inexorável crise energética que levou os EUA a esnobar arrogantemente o acordo de Kyoto, colocando na ordem do dia a “garantia” de todos os meios de aprovisionamento e do petróleo em particular - e portanto a ocupação definitiva dos territórios árabes. A informação de que as reservas de petróleo dos EUA esgotam-se em alguns anos, explica muita coisa, em particular a necessidade de inventar justificativas para agressões militares aos países produtores. Mas o que é evidente é que os sintomas de tais acontecimentos já estavam pairando no ar, como por exemplo a intransigência dos EUA em sustentar os massacres contínuos do Estado de Israel contra os Palestinos, jogando no lixo os acordos por eles mesmos promovidos, o abandono da Conferência de Durban e tantos outros. Não são erros da diplomacia yankee, são sintomas de uma doença profunda à qual se procura remediar acionando todo o clássico arsenal da guerra com todo o seu acompanhamento de pretextos, provocações e declarações patrióticas. Enquanto que os motores da máquina de guerra há muito já estavam aquecidos, faltando só o sinal de largada.

Com esta histeria os EUA tentam impor ao resto das burguesias mundiais dos países mais ricos o consenso, a centralização incondicional. Há em curso inclusive a tentativa de ressuscitar o famigerado Tratado do Rio de Janeiro pelo qual qualquer que seja o agressor, real ou inventado, de um país das Américas , será considerado inimigo por todos os outros. A OTAN proclama o próprio direito de intervenção em qualquer lugar do mundo para responder às exigências dos EUA. A ONU é abertamente colocada na lixeira da história. Ora, este mecanismo não se desencadeia como conseqüência de uma ação terrorista, por mais grave que tenha sido. SOMENTE UMA PODEROSA MÁQUINA DE GUERRA EM PREPARAÇÃO HÁ MUITOS ANOS EXPLICA ESTA ACELERAÇÃO. Já há um ano atrás muitos especialistas afirmavam que os mísseis nucleares norte-americanos tinham sido reorientados para atingir mais objetivos na China, deixando livre parte dos territórios da ex-Urss. Os EUA haviam rechaçado unilateralmente a ratificação do tratado anti-mísseis SALT-2. Insistem intransigentemente na construção do “Escudo espacial”.

Fizeram a guerra da Iugoslávia, o maior exercício militar na Europa do pós Guerra, onde testaram todos os mecanismos, desde o “consenso” da mídia, o uso sapiente das questões “étnicas”, até o uso das armas a urânio “empobrecido” e a guerra aérea total. Novamente aí não houve “compaixão” alguma, foram bombardeados principalmente objetivos civis (trens, colunas de refugiados, fontes de abastecimento de água, de tratamento de esgotos, meios de comunicação, estações de TV, indústrias químicas com desastres ecológicos subseqüentes, etc.). O comandante da época, um histérico General Clark chegou a propor o uso das armas nucleares, frente à entrada das tropas russas em Pristina, capital do Kossovo, para proteger a população eslava, mas provavelmente lhe tenham dito: “Ainda não, espere um pouco mais”. A ocasião parece ter chegado.

O papel a ser cumprido pelos setores progressistas, da esquerda em geral, dos movimentos revolucionários, comunistas, socialistas honestos, religiosos, pacifistas e anti-globalização em geral, de repente torna-se enorme. Não há processo eleitoral, não há processo de protestos pacíficos, nem mesmo o Fórum de Porto Alegre, sindicatos, organizações populares de base, igrejas, movimentos camponeses, que possam eximir-se da responsabilidade de opor-se à guerra imperialista que se está preparando. E de preparar as próprias bases para o que parece ser inevitável: uma escalada que conduz provavelmente ao enfrentamento com a Rússia e com a China.

Com esta ação os EUA estão sepultando definitivamente a ONU e a possibilidade que este organismo se possa tornar no futuro um “regulador” das questões que requeiram o uso da força. Esta foi a permanente atuação dos EUA no Conselho de Segurança e na manipulação do orçamento da mesma: impedir qualquer “democratização”, nem mesmo a entrada neste organismo de outros países do famoso G8. Assim foram mantidos os bombardeios ao Iraque, por anos a fio e até nos nossos dias, e o embargo criminoso que ceifou a vida de - estima-se - mais de um milhão e meio de civis, dos quais a maioria crianças; assim o Estado de Israel prosseguiu na sua política de colonização dos territórios e extermínio dos palestinos, com pleno aval dos EUA; assim os EUA decidiram intervir na Colômbia com todos os meios. A ONU, frente a isso, é um cadáver insepulto.

As instâncias de decisão são outras, totalmente outras, e passam da OMC para o FMI, do FMI para o Banco Mundial, deste para o G8 e agora para o Estado-maior das forças armadas do poder yankee ou para instâncias bem mais sinistras do mesmo. Talvez muito por cima do próprio Bush ou do Colin Powell. O patético apelo da China e da Rússia a que as decisões se tomem na ONU - sem qualquer resposta por parte do “Ocidente civilizado” - indica quais são as intenções que estão por trás destas manobras militaristas. A rápida aprovação pelo Congresso dos EUA - em dobradinha quanto à proposta do Presidente - da despesa de 40 bilhões de dólares para gastos militares é uma prova eloqüente das intenções de fazer valer de uma vez por todas a hegemonia americana, ameaçada pela própria crise do capitalismo.

Fazemos um apelo a todas as forças progressistas do país a assumir a bandeira da luta contra o imperialismo, contra o processo de agressões e massacres que está por ser iniciado ou talvez já esteja em ato quando estas palavras forem impressas; contra a militarização do Brasil, contra a reativação do Tratado do Rio de Janeiro; solidariedade com as massas palestinas, iraqueanas, árabes em geral que nada tem a ver com estas terroristas do imperialismo yankee. Pela justiça social global, pela distribuição das riquezas, pela defesa do ambiente, pela planificação da economia mundial para sair da praga das crises cíclicas do capitalismo - consideradas por muitos “intelectuais” como já inexistentes… - que conduzem primeiro à pobreza e à miséria, e logo às guerras “resolutivas”; já muitos cínicos falam do “novo ciclo” econômico que decorrerá desta nova guerra. E um aspecto fundamental: pela defesa da livre informação, contra os “boletins de guerra” da mídia internacional, abaixo os monopólios privados que tentarão manter a população do Brasil e de todos os países na obscuridade, podendo assim agir livremente nos massacres e na disseminação do ódio.

Só que nestes cálculos esquece-se que na memória e na inteligência humana há bem mais que a ganância do capital, o nazismo e o fascismo desta oligarquia financeira que governa o mundo hoje; as massas que viveram e ainda vivem experiências socialistas, Cuba na cabeça, sabem já de que lado está o progresso, tendo vivido na pele as desgraças do capitalismo decorrentes do desmantelamento da Urss. Por isso não vão se intimidar com nenhum ataque, seu ódio de classe vai aumentar, as lutas vão continuar e crescer em todo o mundo. As massas européias não poderão cair no engodo criminoso que o imperialismo fabricou para bombardear a Iugoslávia, nem suas conseqüências danosas para os próprios soldados italianos, franceses, e tampouco a farsa do Tribunal de Haia. Milosevic pode ser um burocrata com seus erros e limitações, mas esse Tribunal é a continuação da guerra imperialista por outros meios contra o que resta do Estado operário Iugoslavo. Novamente, só a construção de uma Internacional Comunista de massas, e a organização mundial dos trabalhadores e de todos os oprimidos pelo capital pode livrar a Humanidade definitivamente da barbárie que se está preparando.   v

16/9/01