MANIFESTO I° DE MAIO 2001

DA IV INTERNACIONAL POSADISTA

Às massas do mundo, os Partidos Comunistas, Socialistas e Sindicatos.

Aos Militares Nacionalistas e Revolucionários, aos integrantes dos Movimentos Camponeses, Indígenas e de Libertação Nacional

Cresce o movimento de massas em todo o mundo, se recupera e saltam etapas, depois da crise internacional que se gerou com a conseqüência da queda da URSS e dos demais Estados operários, que se envolveram numa grande confusão e retrocesso dos partidos de operários e sindicatos em todos os países. As massas com suas lutas aumentam sua confiança, empurram onde podem as direções e os instrumentos políticos e organizativos para posições mais decididamente antimperialistas e anticapitalistas. As mobilizações populares em todo mundo encontram mais e mais oportunidades para unificar-se e centralizar-se, rompendo ou abandonando partidos ou sindicatos que se mostram hostis ou resistem à necessidade das lutas, ou que aderem abertamente às opções neoliberais, capitulam e passam para o campo adversário. Sem poder ainda reverter completamente esta situação, as novas gerações de lutadores vão cerrando as fileiras e se lançam ao assalto dos fortes e quartéis-generais mais que simbólicos do capitalismo, como a OMC, o FMI, o Fórum de Davos.

O imperialismo não detém, não pode, nem tem o interesse em deter a preparação da guerra; os inúmeros focos que este alimenta em todo o mundo, as provocações constantes contra China e Rússia, demonstram que a guerra já está em marcha. O uso generalizado do urânio empobrecido e de outros componentes radioativos não é só para garantir a eficácia de seus meios de guerra, mas também servem para preparar as condições para que estes criminosos lancem a guerra atômica contra a humanidade: as bombas à base de urânio contra o Iraque e a Iugoslávia já são uma guerra atômica atenuada.

Depois do " 1989 " o capitalismo anunciava para a humanidade a conquista do paraíso com a destruição do "monstro comunista"; hoje o capitalismo abandona completamente da máscara: em defesa do interesse da propriedade privada e de seus grandes benefícios da economia globalizada explora ainda mais as massas do mundo ou pela fome, ou pela contaminação dos alimentos lá onde estes são abundantes, por meio da guerra da paz "com urânio", rompe abertamente com a ciência e com a cultura. A negação de Bush à respeitar os acordos de Kioto pelas emissões de gases no atmosfera, apesar de todos os danos provocados ao meio ambiente no mundo, indica que o capitalismo atravessa sua fase final, que este não representa nenhum progresso e conduz a humanidade à barbárie e à guerra. Desde os anos 50 o camarada J. Posadas analisava este fato, e dizia que a própria natureza do capitalismo conduz à guerra e nada pode enternecer nem comover e faze-los mudar de idéia: o capitalismo vai contrapor seus interesses e sua própria existência ao progresso humano, e vai levar isto até às suas últimas conseqüências, o que significa lançar a guerra atômica. Por isso Bush e os dirigentes do imperialismo são idiotas, não é uma simples virtude pessoal – que também a possuem– , mas é uma conseqüência de sua própria história, não há lugar para a inteligência entre os membros do governo e do Pentágono norteamericano.

A captura do avião de espionagem dos Estados Unidos pelos militares chineses e a detenção de toda a tripulação, foi uma atitude de representação do Estado operário e uma primeira aplicação efetiva dos recentes acordos de intercâmbio tecnológico e militar firmados com Rússia, que foram concebidos expressamente "para pôr-se contra a prepotência e a predominância militar dos EEUU em todo mundo". A volta do hino soviético e do uso da bandeira com a foice e o martelo pelas forças armadas russas, junto com a decisão de enfrentar a constante espionagem dos ianques, dão a este recente acordo entre a Rússia e a China um forte caráter antimperialista.

A pesar do retrocesso social que vem debilitando as forças e os instrumentos para a construção do socialismo, um setor do exército chinês encontra os meios para dar tal demonstração de forças que faz estremecer a arrogância do novo governo republicano dos EUA, que tem que sofrer também o golpe que os russos deram rompendo o boicote contra Iraque, o que significa romper com a frente intercapitalista mundial que vinha isolando o povo iraquiano, e mantendo o massacre das crianças e anciãos daquele país, desprovidos dos medicamentos mais elementares …

A direção ianque acelera os preparativos para a guerra, Bush multiplica seus gastos em armas. Apesar do fato que as massas palestinas não se rendem, imediatamente depois da chegada do governo de Bush nos EEUU, Sharon assume o governo de Israel, e o futuro não podia se apresentar mais negro para o povo palestino. O governo reacionário de Israel exacerba toda sua prepotência e quer esmagar definitivamente a resistência palestina. Chamamos a um levantamento mundial dos povos árabes, e uma mobilização das massas do mundo em apoio à resistência das massas palestinas. Conclamamos à convocação de uma Conferência Internacional dos movimentos e partidos de esquerda do Oriente Médio com a participação e o apoio das organizações progressistas de todo o mundo para discutir uma solução revolucionária e popular para a região, como a proposta de constituir uma Federação dos países com uma programação comum que leve em conta o desenvolvimento social, econômico e cultural de cada povo. Propomos esta Conferência para romper o círculo vicioso das chamadas "negociações de paz" sob o patrocínio hipócrita dos EEUU que na realidade alimentam novas guerras e duros golpes à esquerda palestina e israelense. O desespero de Bush e de Sharon é porque sentem que a resistência palestina estimula a solidariedade e o apoio das massas árabes, motiva a esquerda democrática e pacifista de Israel. O imperialismo, com as matanças e a destruição da economia de Gaza e da Cisgiordânia, quer romper com toda possibilidade de contato e unificação entre essas forças progressistas.

O capitalismo atravessa uma situação pela qual se derrubam peças chaves da estrutura da economia mundial, e não são só estruturas periféricas, afetadas pela crise, trata-se de países como Japão, aonde a recessão destruiu o mito do pleno emprego, de países como os "tigres" do Sudeste asiático nos quais se estendem as conseqüência sociais da crise dos últimos anos e este fenômeno ocorre também no centro da engrenagem do capitalista, nos EEUU, provocando milhares de vítimas. Todas as grandes empresas industriais mandam para a rua milhares de trabalhadores (GM, Ford, GSE), seguidos pelos trabalhadores que tinham o futuro aparentemente assegurado graças à tão propagada "new economy " (IBM, Cisco, as grandes empresas de telecomunicações) que já parece tão obsoleta quanto à "velha economia" que se chama simplesmente capitalista.

A reunião Internacional de Porto Alegre, refletiu só parcialmente o potencial para a organização das forças de esquerda que estão em movimento na América Latina. A primeira fase das eleições no Peru expressaram a vontade das massas peruanas em liquidar o passado de repressão de Fujimori e do fujimorismo. Apesar do fato que governo dos EEUU apareceu como controlador do processo de desmantelamento da ditadura, a candidatura de Alán Garcia obteve um grande êxito em pouco tempo, demonstrando que o resultado final as eleições não serão todos à favor dos ianques. Toledo tem buscado aproveitar-se das lutas de massas contra Fujimori e com o financiamento dos EEUU, vem construindo seu movimento apartir de propostas muito genéricas e de caráter "democrático", mas bastou uma breve campanha de Alán Garcia propagandeando a necessidade de não pagar a dívida externa para permitir o desenvolvimento da economia, para que este obtivesse um apoio eleitoral de 26% dos votos.

O avanço das lutas e experiências políticas populares no Brasil há que agregar os grandes movimentos que se desenvolvem na Argentina e nos demais países. O MST cresce em autoridade frente ao resto da população brasileira graças a sua resolução de enfrentar, ocupar e colocar em produção as terras disputadas contra a oligarquia parasitária. Na Argentina o movimento que participa das manifestações contra a globalização e contra a ALCA se mobiliza junto com os sindicatos combativos contra a crise sem saída em que se encontra o governo De La Rua. Setores com uma certa importância das burguesias latinoamericanas agonizam e o programa ianque da ALCA que significaria para elas o tiro da graça, por esta razão não todos estes setores aceitam voluntariamente desaparecer. Junto a setores das forças armadas, nacionalistas burgueses e revolucionários, resistem à prepotência dos EEUU. Mas são as massas latinoamericanas, seguindo a experiência do Estado operário cubano as que se preparam para uma luta sem quartel contra a prepotência imperialista. Na Bolívia, no Chile, na América Central, constantemente se dão lutas de massas e movimentos importantes. No Equador está longe de extinguir-se a chama do movimento indígena que já colocou em cheque o atual governo golpista, e se prepara para novas lutas. No México o movimento o apoio encontrado pela manifestação dos Zapatistas indica a vontade de combater, de todo o povo mexicano. Na Colômbia o movimento guerrilheiro mantêm com vigor a frente de luta contra o imperialismo não aceitando a submissão à farsa das negociações de "paz". No Brasil há constantemente greves e lutas importantes, ocupações de terras, verdadeiras rebeliões populares com enfrentamentos violentos contra o regime capitalista e suas injustiças. O comum em todos estes movimentos é a busca de respostas organizativas, políticas e programáticas.

A grande recepção que teve Alarcón (Ministro das Relações Exteriores de Cuba) no Fórum de Porto Alegre, em nome do Estado operário cubano, indica a enorme autoridade de que goza Cuba na vanguarda militante e intelectual de toda a América Latina, expressão de um consenso de massas muito mais amplo e profundo, e reafirma que a única resposta ao processo de globalização capitalista só pode ser o caminho do Estado operário. O discurso de Alarcón foi uma expressão importante das mudanças internas em Cuba que superam a etapa da crise inicial, ocorrida imediatamente após a queda da URSS. Se afirma a linha do Estado operário que vê que sua existência não depende só da política interior mas também da exterior: o aumento da relação política com o mundo em luta contra imperialismo. Por isso Alarcón faz a crítica mais profunda à "democracia" capitalista, dedicando grande parte do seu discurso a analisar as recentes eleições nos EUA, e indicando ao mundo o seu carácter aberrante, antidemocrático e contrário aos interesses da humanidade, e à crise brutal do capitalismo, e termina com a proposta de uma nova Internacional, afirmando que "o futuro será socialista ou não haverá futuro". A elevação das condições de lutas e movimentos se expressam também nas relações de forças que se vão estabelecendo entre os países hostis ou resistentes às políticas da globalização imperialista, como se vê no crescente consenso que encontra a Líbia, o Iraque, e mesmo o Irã, que vão estabelecendo acordos com a China, com a Rússia, que mesmo que limitados ao âmbito econômico, fomentam uma resistência maior das populações ao domínio absoluto do capitalismo, como se viu na luta do governo da África do Sul contra os monopólios farmacêuticos imperialistas. Propostas como os acordos entre a Venezuela e Cuba para intercâmbio de petróleo por médicos, entre a Rússia e Cuba, ou entre o Brasil e Cuba, e o mais recente entre a África do Sul, o Brasil e a Índia pelo qual estes últimos vão abastecer-se dos produtos básicos contra a AIDS, e o governo sul africano os recebe dez vezes mais baratos de quanto pagarias às multinacionais que controlam o mercado mundial, são todas formas em marcha de planificação e acordos que rompem com o circuito global, pois não beneficiam as grandes multinacionais e bancos e também respondem à solução de problemas importantes das massas e do desenvolvimento destes países. Há que estender estas experiências, divulgar seus efeitos positivos, de maneira que sirvam de exemplo e de estímulo a novos processos revolucionários em todo o mundo: ... "outro mundo é possível"! Mas o motor de tudo isso continua sendo as lutas sociais, sindicais, pelos direitos da mulher, das crianças, e contra o racismo, em todo o mundo, da Ásia à América Latina, dos Estados Unidos à Europa. As populações são obrigadas a imigrar, mas rapidamente se integram e assumem uma postura de luta pelos próprios direitos. O capitalismo contava com a passividade ou o temor deste "exército de reserva", mas este não se mostrou dócil nem passivo: as greves na Espanha e o movimento nacional de protesto dos imigrantes, obrigaram o governo da direita de Aznar a recuar, e este teve que dar os documentos a mais de 60.000 extracomunitarios. Os ferroviários franceses realizam novas greves com grande apoio da população. Os trabalhadores da Danone e da empresa Mac Spencer ganham uma luta com a conclusão que as empresas que têm grandes lucros não podem despedir. Nem os governos de direita, nem aqueles social-democráticos conseguem impedir o desenvolvimento das lutas de massas, que constantemente ressurgem mesmo entre a juventude trabalhadora que já não se beneficia de direito trabalhista algum .Os contratos precários com que são assumidos mais de 80% dos jovens na Europa correspondem a esta fase de crise e da falta de perspectiva em que vive o capitalismo.

E o capitalismo se orgulha e proclama de haver resolvido todos os problemas nos principais países do primeiro mundo; apesar disso, das massas desses países se expressam mil inseguranças e desconfianças com o comportamento da direção capitalista, acusada com razão de envenenar o ar, a água, as vacas, as ovelhas, a comida, tudo. O aparecimento das "vacas loucas", coloca a sociedade que vive em uma aparente abundância frente ao dilema: que se poderá comer sem conseqüências graves? Os partidos de esquerda os sindicatos deveriam promover lutas e estabelecer acordos e pactos entre produtores, intermediários e consumidores sem reconhecer as regras impostas (ou às vezes desconhecidas) pelas autoridades capitalistas, de maneira que garanta a segurança alimentar baseada no controle popular, livrando-a da produção, do controle e da distribuição nas mãos dos grandes grupos capitalistas, que submeteram a própria vida do povo aos interesse do máximo lucro a qualquer preço.

Haveria que jogar nas fossas inglesas onde se queimam milhões de cabeças de gado, os que se beneficiaram das políticas da Thatcher e os que as tentam continuar sob as falsas bandeiras do "New Labour ". O Estado atual da sociedade inglesa é a expressão mais cruel das conseqüências negativas da política neoliberal das privatizações e da globalização: se morre com a comida e com a bebida, se morre das carências do sistema de saúde no passado o mais avançado da Europa e que em vinte anos passou a ocupar o último posto entre os países capitalistas, se morre também nas ferrovias privatizadas no mesmo país em que inventou a rede ferroviária e a implantou nos cincos continentes, na escola privatizada em que Blair prometeu um computador para cada aluno, produz-se cada vez mais jovens que não lêem nem escrevem ou que simplesmente abandonam os cursos. Isto no país natal de Shakespeare! .

Na Itália a persistência da luta dos operários da FIAT, tem ajudado a superar todo um período de muitas anos sem greves, tendo obtido o consenso do sindicato metalúrgico e agora a resolução da central sindical CGIL em apoio a essa luta. É um acontecimento novo, depois de muitos anos de submissão a acordos com a burguesia que haviam desarmado os trabalhadores frente à ofensiva anti-operária da patronal, decide apoiar a luta da Fiat. Indica que uma vanguarda jovem, combativa, está disposta não só a lutar contra os patrões, mas a sacudir os mais altos aparelhos sindicais que não tinham a menor a intenção de promover lutas nem greves. Paralelamente, muitos outros setores sociais se organizam em sindicatos e agremiações alternativos, promovendo greves e lutas importantes como os Comitês de Base (COBAS) no setor da educação, que conduz uma luta combativa e de massas contra as políticas de privatização do ensino do governo de centro-esquerda. Chamamos a frente única dos partidos comunistas, socialistas, as centrais e organizações sindicais com objetivo de centralizar as grandes lutas atualmente em curso na Europa e em todo o mundo, para impedir as grandes restruturações das empresas capitalistas que apesar dos grandes lucros obtidos pelas multinacionais, ameaçam com despedir dezenas e milhares de trabalhadores.

A unificação mundial das experiências de luta, é tão necessária quanto a generalização da elaboração cultural e artística, das conquistas da ciência e do progresso tecnológico , da preservação comum e global do meio ambiente; a reconstrução e o funcionamento de uma nova internacional é necessário para a luta contra o capitalismo e para construção do "outro mundo possível": o comunismo. Trata-se de retomar as palavras de ordem de Marx, Engels, Lenin, Trotsky e tantos outros revolucionários marxistas que jamais renegaram nem traíram as próprias idéias, políticas e programas, e que hoje são assumidas por novas forças que se alistam por milhares decididas a tomar parte nas futuras batalhas para derrubar o sistema da propriedade privada, único modo para resolver os problemas atuais da humanidade. Hoje, a 25 anos do desaparecimento do camarada J.Posadas, a IV Internacional Posadista lhe rende homenagem fazendo um chamado a todas as organizações ou partidos progressistas, de esquerda, revolucionárias, católicas progressistas, nacionalistas, antimperialistas, ecologistas, pacifistas, aos governos progressistas e antimperialistas, aos movimentos de massas, sindicatos, redes de resistência anticapitalista de todo o mundo, a retomar com força a proposta discutida no Fórum de Porto Alegre de reconstruir uma Internacional que tenha por objetivo a construção do socialismo.

Jamais a humanidade teve tanta necessidade de uma coordenação de suas lutas, de suas reivindicações, de um intercâmbio permanente de energias, propostas, programas, frente à guerra que o imperialismo mundial está visivelmente preparando. Toda a década de retrocesso das experiências socialistas teve consequências enormes sobre a consciência humana, dificultando a sua reorganização coletiva, comunitária, comunista. Este efeito foi mais devastador sobre as direções de todas as organizações: pois estamos no limiar de um novo salto adiante, no qual toda a velha experiência pode ser recuperada, depurada dos seus aspectos mais negativos, dos erros, distorções e dos crimes cometidos em nome do socialismo e do comunismo.

Apesar disso, jamais foram tão favoráveis as condições para a redenção material da humanidade, base imprescindível do socialismo. Jamais foram postos à disposição tantos recursos de comunicação e de circulação da inteligência humana, das experiências, das idéias, e consequentemente das lutas coletivas organizadas para a sua própria sobrevivência e progresso sem fim.

Provavelmente se requeiram novas equipes, novos métodos, novas direções, novos quadros, novos militantes: mas este exército revolucionário já está em formação entre os sem-terra do Brasil, entre os jovens contestadores de Seatle ao Québec, entre os índios zapatistas, entre os camponeses bolivianos, os estudantes e trabalhadores de todo o mundo que não se intimidam e não se resignam. A velha vanguarda pode ainda contribuir, se sair da letargia, se aceitar o desafio, se abrir-se a estas novas experiências e abandonar as posições aparelhistas e deixar de repetir os dogmas, aceitando o desafio de analisar o porque das derrotas históricas, mas sobretudo reassumir o programa das transformações sociais, que não podem se dar sem abater o capitalismo, e que não pode ser aplicado sem o instrumento da luta de classes, por cima de qualquer processo eleitoral oferecido pelas democracias burguesas, sem os métodos das lutas revolucionárias e de massas.

Fazemos um chamado a todos os setores da esquerda brasileira a combater a atual passividade e submissão aos processos eleitorais, ao conflito interburguês manifestado na crise do Parlamento, nas discussões sobre as CPIs, sobre a cassação de alguns senadores corruptos, ou aos processos por corrupção em curso: nenhuma briga interburguesa vai levar a solução alguma para os problemas do país, como já foi abundantemente demonstrado. O Instrumento eleitoral , junto com o domínio absoluto da informação, é a maior arma de que dispõe a burguesia para confundir, atrasar e apagar qualquer conflito social importante no país.

Dissociar a justa e necessária participação em eleições, nas frentes institucionais, da dedicação essencial e vital à mobilização popular, à organização revolucionária e direta do povo, às lutas sindicais por objetivos superiores aos do corporativismo ordinário, é cometer suicídio político frente à gravidade da situação que se apresenta frente aos nossos olhos, que nada tem de "ordinário" como o próximo calendário eleitoral: como foi discutido no Fórum de Porto Alegre, estamos frente ao colapso do planeta inteiro, a começar pelo ambiental mas a terminar no plano social.

A História mostrou exaustivamente que só os movimentos de massas podem alterar esta situação, podem colocar o dedo na chaga e transformar a realidade existente. Chamamos portanto ao Partido dos Trabalhadores e todas as suas correntes mais avançadas e aos sindicatos, à CUT em particular, assumirem com força a própria responsabilidade nesta situação, ao seu grupo dirigente a sair para fora, para as ruas, para as assembléias populares, para os movimentos, mobilizando a opinião pública com um programa para transformar o país, para rechaçar a adesão à ALCA, para combater nas ruas à corrupção, promovendo verdadeiras "Comissões Populares de Inquérito", CPIs populares em todos lados com processos e emissão de veredictos, aplicáveis na expropriação das propriedades dos corruptos, na promoção da Reforma Agrária, na ruptura com as políticas neoliberais, com a desprivatização das empresas saqueadas pelo governo FHC. Esperar que a "pêra madura" da corrupção leve o eleitorado a simpatizar com o PT e que daí se possa alterar semelhante situação de desastre social, respeitando os limites do parlamento burguês e dentro dos parâmetros draconianos já impostos pelo FMI ao país, é ignorar completamente para onde vai o mundo. Não há "orçamento participativo" que possa mudar os parâmetros fundamentais da exploração capitalista, basta analisar os indicadores sócio-econômicos fundamentais mesmo das regiões mais prósperas e administradas pelos partidos de oposição.

É necessário transformar este Primeiro de Maio num momento de retomada das lutas, da combatividade, da participação de massas, num combate aberto ao "cretinismo parlamentar", à corrida aos postos, ao personalismo decrépito e desprovido de programas, políticas e compromissos de transformação revolucionária do país. Há que dar vazão e apoio a todo movimento popular e de massas, reconstruir todo o tecido de participação popular existente na década de 80, que arrisca perigosamente a extinção frente às novas medidas autoritárias tomadas à medida que o país se aproxima da Alca e avançam sem contrastes as políticas neoliberais suicidas que levaram ao desastre a Argentina. Antes que seja tarde!

A IV Internacional Posadista faz um novo chamado, neste Primeiro de Maio, a todas as forças progressistas e revolucionárias a darem aplicação prática às plataformas de luta globais que se vão configurando, em todos os continentes, pela defesa do ambiente, contra a exploração capitalista, contra o desemprego, contra a guerra, a ditadura financeira, o intervencionismo militar, pela distribuição mundial da renda e das riquezas, pela planificação da economia em favor da totalidade da humanidade, pelo enterro das políticas neoliberais. A não intimidar-se e a nutrir-se cada organização, cada partido, cada movimento desta força enorme e invencível que pode ser desencadeada com a unificação das lutas e experiências no âmbito de uma nova Internacional Comunista de massas.

Brasil, Primeiro de Maio de 2001.

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